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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A gente faz e Deus desfaz, porque quem sabe o que faz é Ele...

Estou há algum tempo sentada na frente do laptop tentando começar, mas até o título está difícil.
Como contar que saí uma segunda feira de manhã para a depilação, para comprar o presente que faltava ( o do marido, lógico...) , que cheguei em casa tranquila e depois de mais ou menos 1 h, dava entrada na urgencia de um hospital com uma trombose de toda a perna esquerda, desde a coxa até...?
Viajaria no dia seguinte para Estrela Dalva, para o Natal com a mamãe e o Jayminho, junto com as crianças e voltaria dia 30 para a virada de Ano junto com o Mário, que dessa vez não poderia ir conosco. Sempre tenho folga uns dias antes e esse ano sei lá porque, mas Deus com certeza sabe, sairia apenas no dia 23 de dezembro. Foi a sorte. Tivesse acontecido na estrada ou em Estrela, estaria muito ferrada.
Quando em casa, vi a minha perna dobrando de tamanho e mudando de cor, sabia o que estava acontecendo e sabia que todos os planos que tínhamos feito para as férias tinham ido por terra. Do carro até o hospital, era tanto desconforto que achei que pudesse estar morrendo e mudei o diagnóstico algumas vezes em pouco mais de 2,5 km. Passei de trombose venosa profunda para embolia pulmonar, mas cheguei a cogitar outras coisas mais mortais ou sequelantes de tão mal que me sentia. Mas enfim, era trombose venosa profunda, de ilíaca, femural, e o do que mais houvesse para trazer meu sangue venoso até a veia cava prá depois ele poder seguir o rumo dele. Tudo entupido! O tratamento, depois de confirmado o diagnóstico clínico com um singelo exame de duplex scan, foi iniciado já no box da urgencia, de onde eu não teria saído até o dia seguinte se não tivesse havido um outro personagem: o dinheiro.
Sim, porque os quartos destinados ao meu convênio  estavam lotados e eu era a quinta da fila e a previsão era que eu ficasse até a tarde do outro dia num box da urgencia. Mas como nos dispusemos a pagar a diferença da diária do convênio, logo subi para o apartamento. Que país é esse????Mas isso é conversa para outra hora.
Dormi num hospital pela primeira vez numa situação adversa, porque dar plantão e parir não são nada perto de ser paciente de verdade. Acordei com  o médico vendo a minha perna e dizendo que eu teria 2 opções: uma tentativa de revascularizar colocando um cateter que iria da veia atrás do joelho até a veia cava, colocando remédio direto onde estava a obstrução; ou o tratamento clínico, em que eu teria mais de 50% de chances de ficar com sequelas graves. Optei pela primeira depois de pensar e pensar e sofrer. Passaria 2 dias no CTI por causa desse procedimento e isso significaria o Natal sozinha.
E o medo?? E a angústia?? E aquela coisa de mãe que quer ficar perto dos filhos?? E as malas deles que nem cheguei a arrumar?? E a frustração??
A frustração multiplicada por 3,mas com a minha eu me arranjaria depois...Estávamos com tudo marcado para realizar um sonho. Iríamos para Orlando dia 21 de janeiro. Passagens, hotel, ingressos, carro, tudo reservado. Restaurantes com direito a personagens... O Harry Potter... Era o sonho deles? Era sim, mas era o meu também. Sempre quis muito abraçar O ratinho e estava contando os dias para esse dia chegar e via nos olhos dos meus filhos aquele brilho de felicidade cada vez que tinha uma novidade.
Passado o susto inicial e voltando a usar a cabeça sabia que tinha sido o melhor momento (se é que tem melhor momento...) para ter uma coisa desse tipo e gravidade. Encarei o procedimento e encararia o CTI. Mas ao acordar e fazer a indefectível perguntinha "E aí, doutor, deu certo?" , ganhei como resposta um sonoro "Não". Peraí?? Como assim, não?? Não era bem isso que esperava ouvir e foi ficando pior porque ele me disse que não conseguiu chegar com o cateter até onde deveria porque tinha alguma coisa na minha pelve comprimindo a veia. Ah, pronto!! Iria descobrir que tinha feito uma trombose na boca do Natal e que além de tudo estava com câncer. Ah, mas xinguei, viu!!! Que droooga!!! Pensei logo que Deus é gente boa prá cacete e não ia arrumar uma presepada dessas comigo, que meus filhos ainda precisam de mim e tudo que  todo mundo pensa, mas deu medo.Tinha um capetinha com a voz do Caetano cantando a música do Chico de vez em quando : "Deus é um cara gozador adora brincadeira..." e mesmo mandando que ele calasse a boca, ele insistia. Mas uma tomografia de abdome 2 dias depois, no dia do aniversário do Miguel, mandou essa possibilidade embora.
Deus não falha. Nunca. Jamais. E Ele sabe de absolutamente todas as coisas e todas as horas.
Novo procedimento e agora sucesso. 2 dias no CTI com medicação e depois quarto.
O CTI acordada é um caso a parte. Já avisei que é o que desejo às inimigas, com direito à coleta de gasometria arterial as 4 da madruga. É... Brincadeira!! Ninguém, mas ninguém mesmo merece.
No quarto tive a companhia do Mário, que esteve do meu lado desde a urgencia até a alta. Que brigou por mim. Que me deixou chorar quando eu tive vontade. Que falou comigo como se eu tivesse 5 anos muitas vezes.Que me trouxe de volta à razão, como muitas vezes ao longo de todos esses anos, Que me levou sorvete no CTI. Que fez comida prá mim. Que conseguiu dormir num lugar onde cabe meio Mário (sem sacanagem...) .Que me trouxe prá casa hoje. E que vai me vigiar de agora em diante.
Tenho muitas coisas a falar sobre todas as vivências desses dias, mas não mais hoje.
Hoje quero somente agradecer por muitas coisas : por ter a chance de recuperar a saúde; por ter uma família tão bacana que fez e está fazendo tudo o que pode para que eu não me preocupe tanto; pelos amigos e conhecidos que se fizeram presentes das mais diferentes formas; pelas orações. Agradecer a Deus mais uma vez por não me deixar na mão... Obrigada, Pai!!

Estou de volta!
Feliz 2015!
Beijos,

Lela.

Leia também: E o que você fez?
                       Quando eu falo com Deus?






sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Carta para Ana Teresa

Bom dia, meu amor!
Enfim seu dia chegou; e como demorou!! Longos 365 dias que a senhorita tratou de aproveitar muito bem com risos, conversas, brincadeiras, maquiagens, amizade, correrias.
Como venho dizendo a você nos últimos dias, o tempo está passando muito rápido. Outro dia mesmo você nasceu e tinha cólicas, chorava, golfava, embranquecia meus cabelos... Logo ali na esquina do tempo, escutava seus pés batendo no chão quando tocava a campainha de casa e seus gritinhos de "Mamãe chegou!!" ... Nossa filha, isso foi quase ontem! Mais adiante foi seu primeiro dia no jardim de infância, dia esse que estava tão quente que a professora tirou sua blusa e seu tênis; quando fui dar uma espiadinha de mãe, descobri que a "novata" tinha ares de veterana e estava correndo pelo pátio, brincando com água e feliz da vida, como se sempre estivesse estado ali.
O tempo voou e deixou minha bebê para trás. O que vejo hoje é uma menina cheia de riso, estilo, opiniões, dúvidas, mentirinhas, brincadeiras, que reproduz com as amigas as grandes questões da vida e quase sempre se sai muito bem. Chego a ter que me esforçar para lembrar de você pequena, filha... Você nasceu grande, adulta, sábia...
E apesar de tudo isso, Ana Teresa, você é uma molequinha. Corre sem parar, tem terra no cabelo, esmalte descascado, quarto desarrumado, medo de escuro. E são essas coisas que fazem você ser especial ,única, diferente.
Você REALMENTE é um presente para todos nós e ao longo desses 8 anos tem ensinado muitas coisas a todos aqueles que podem  e têm o prazer de conviver com você.                                
Prá mim, então! Descobri coisas muito interessantes de mim ao olhar para você: que eu posso ser fofinha, que não é pecado gostar de vestido e querer ser mulherzinha, que gênio ruim é difícil de lidar. Que eu posso, sim ser mãe de menina sem ser fresca; que negociar é com certeza uma arte que requer muita imaginação e energia.
Dizer que você é parecida comigo é tão bom de ouvir, filha!! Fisicamente eu sei que é. Mas o engraçado é o quanto que você se parece comigo nas outras coisas e sobre isso, sempre que posso eu alerto: vai com calma, baixa as armas, não revira os olhos...
Sabe o que descobri? Que você nasceu no mesmo dia da poetisa Cecília Meirelles, mulher maravilhosa, sensível, profunda. Está muito bem acompanhada e um poema como "Ou isto ou Aquilo" define você muito bem e, a medida que você for crescendo, acho que vai poder se encaixar em tantos outros. Mas por hora, minha homenagem a você vai com os versos do Poetinha Vinícius de Moraes que o vovô cantava prá mim e hoje estou sendo praticamente obrigada a repetir prá você : "Menininha do meu coração eu só quero você a três palmos do chão..."



Um beijo, Linda.
A mamãe ama muito você.


Leia também: Ana Teresa, meu amor
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                      Coisas de Mocinha




segunda-feira, 9 de junho de 2014

Doando cabelos...

Há tempos que a Ana precisava cortar os cabelos. Estava um jubão.
O meu tempo é curto porque só tenho folgas nas segundas feiras de manhã, que passam rapidamente e que são pequenas para todas as minhas demandas.
Pois bem, mas já tinha firmado posição que de hoje não passaria, porque além de tudo, ela estava pedindo,pedindo, pedindo...
E lá fomos nós. Séculos para a Diva acordar, escolher a roupa... Foi ficando tarde e acabamos no salão próximo de casa, com mais de 30 anos no mercado. Não volto!!
Quem se dispõe a cortar cabelo de criança tem que saber que elas não ficam quietas, se mexem e se remexem o tempo todo... Então bufar, meu caro Orlando, está proibido!!
Mas nem vou me alongar, não vale a pena.
No caminho, a Ana começou a dizer (novamente e novamente) que queria cortar bastante o cabelo. Já tinha perguntado sobre Chanel, franja e outras coisas. E foi aí que soltou a pérola : "Quero doar meu cabelo!!".
A menina do alto dos 7 anos resolveu que doaria o cabelo para fazer peruca para os pacientes com câncer e pronto. Nem argumentei que era melhor ir cortando aos poucos, que ela poderia não gostar e esse blá blá blá de mãe, não tive coragem. Suspirei e pedi: "Corta aqui!" E o cara rabugento cortou. E foi cortando e dando as mechas prá eu segurar... Depois foi acertando... E terminou... Curtinho. Acima do ombro. Eo medo dela chorar??
Não chorou. Disse que ela não estava se conhecendo, mas que havia gostado. E gostou mesmo.
Ficou com  carinha de mocinha, mais mocinha ainda... Uma graça, como sempre! Linda como sempre!!
A doação será feita para o Instituto Mário Penna, que recebe nas suas unidades os cabelos de outras tantas corajosas.
O que esperar de uma menina assim??



As doações podem ser feitas nos seguintes locais em Belo Horizonte, mas em todo o Brasil institutos e hospitais ligados ao tratamento de câncer recebem esse tipo de doação. Informações podem ser obtidas pelo 0800-0391441 ou pelo site: http://www.mariopenna.org.br/mariopenna/Pagina.do

Vamos lá!!
- Hospital Mário Penna
  Av Churchill, 230 - Santa Efigenia
  Procurar por Luciene (CRC) de 9h as 17h

- Hospital Luxemburgo
  Rua Gentios,1350 - Luxemburgo
  de 9h as 17h.

Beijos,
Lela.

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                     Coisas de Mocinha
                     Ana Teresa, meu amor



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ana Teresa,meu amor

E hoje é dia dela.
Da menina espevitada, divertida, topetuda.
Da menina carinhosa, preocupada, comilona.
Da menina que não dorme no escuro.
Da menina que faz turismo na minha cama.
Da amigona.
Da companheira.
Daquela que a gente esquece que tem 7 anos, porque parece que tem 27.
Da que ama e protege o irmão.
Daquela que me fez gostar de esmalte vermelho e andar de salto.
Da mocinha que anda de vestido e botas.
Da menininha que troca fralda das bonecas.
Daquela que não tem medo de andar no meu carro e acha que sou ótima motorista.
Enfim, hoje é o dia em que a minha vida ficou mais colorida e mais brilhante.
Hoje é o dia do meu Solzinho.

Seja feliz minha filha.
Seja você.
Seja cantora, dentista, bailarina.
Seja o que você quiser ser.
Seja brilhante
Seja para sempre espevitada, divertida, inteligente
Seja para sempre minha amiga.
Seja para sempre feliz.

Te amo

Beijos,
Mamãe


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                      Miguel
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Mudanças.

Minha filha de quase 7 anos operou verdadeiros milagres em mim... Em um ano comprei mais vestidos do que durante toda a vida ; os saltos passaram a ser uma opção na hora de comprar sapatos ;esmaltes de cor; cabelo escovado; maquiagem. Tudo prá  não ouvir da criança naquele tom mais despontado do mundo a frase "esmalte com cor de nada, mamãe?!" ao me ver chegar da manicure .
Não que antes eu fosse uma ogra ,mas o conforto ,principalmente prá trabalhar, sempre foi minha prioridade. A verdade verdadeira é que a vontade de andar linda (oi?) sempre existiu ,mas entre dormir mais 20 minutos e secar o cabelo com secador , prefiro a primeira opção. Daí que apelei para a escova inteligente  e faço jus à música que tanto me atormentou na infância :"eu nasci assim, eu cresci assim...Gabrieeela..." . Sou Gabriela sem cachos,


A maquiagem é outro caso. Venho aprendendo ao longo do tempo ,juntando minhas coisinhas e na dúvida vou nuns blogs sabidinhos e sempre (sempre!!) apelo prá Carlota, prima torta querida que tem muita paciência e deve se divertir prá caramba com as minhas perguntas. Prá qualquer pergunta ela tem um tutorial como resposta . Mas estou melhorando ,já consigo usar primer (às vezes)!! Desconfio que ela será a "gurua" da Ana.


A Ana sempre escolheu as roupas que usa. Com menos de 2 anos, trocava de roupa umas três vezes dentro de casa,mas estava sempre descalça (vai entender...). Quando punha na cabeça aquela roupa ,adeus ! Já foi à festa em junho com vestido de alça jurando que não estava com frio ( e eu com casaco na bolsa,just in case). Já saiu atrás de mim de meia calça, shorts e botas e nesse dia tive certeza de que tudo que a gente fala nessa vida a gente paga !! E olha que ela nem desconfia o que é "Paquita" , e Xuxa é só aquela moça que apresenta um programa de sábado (que ela não vê, aliás). Adora maquiagem e tem uns gloss, mas gosta mesmo é dos rosas escalafobéticos e de esmaltes tal e qual. Quando eu comecei a sair com ela de salto ela chamava atenção das pessoas prá minha pessoa ,quando combinava salto e vestido então era glória total . Morria de vergonha , mas ela ficava feliz da vida; então eu ficava também. E a regra é essa agora : em dias de festa (mesmo que infantil) é serviço completo: make, cabelo, salto e vestido. Festa da Sofia, me aguarde!!

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