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terça-feira, 8 de março de 2016

Girassol

Disparado a minha flor favorita. E quem fala é a doida que não gosta de amarelo.
Alegram a casa, dão vida a qualquer cantinho sem graça.
Acompanham o Sol, como todo mundo deveria fazer, seguir a Luz.
Por mim teria girassóis em casa todos os dias da semana, em todas as horas do dia.
Sonho em correr em campos floridos, rodar por entre canteiros.
Sabe que não sei se eles têm perfume... Será que têm? Nem precisava ter, a beleza, a quentura, a alegria, fazem que com que um cheirinho seja dispensável.
Adoro!!!


Não que não goste das outras, mas um girassol vale por um buquê de rosas, pelo menos prá mim.
O girassol pode significar felicidade, altivez; e as pétalas amarelas simbolizam calor, lealdade, vitalidade, tudo que realmente o Sol representa. Tudo o que quero ter, felicidade principalmente.
Várias crenças populares acompanham minha flor predileta: oferecê-la a alguém que iniciou um negócio é desejar sucesso; quem tiver onze girassóis na Espanha tem a sorte ao seu lado; na Hungria, se sementes de girassol forem colocadas na casa de uma grávida, o bebê será homem (e o Y do papai não tem nada com isso, tá?).


É também um símbolo da Páscoa, embora menos conhecido
Existe uma lenda na mitologia grega também sobre a origem do girassol: uma ninfa apaixonada por Hélio (o Deus-Sol), foi preterida por ele e começou a enfraquecer, a se alimentar de suas próprias lágrimas. Enquanto o Sol estava no céu, ela olhava para ele insistentemente, sem desviar o olhar, e à noite olhava para o chão e continuava a chorar; com o passar do tempo seus pés viraram raízes e sua face uma flor que seguia o Sol. Lindo, né? E esses deuses gregos, sempre levianos... Nunca se apaixonem por um deus grego, por favor!! Sabe lá por quem eles vão trocar você!!!





 "Há flores por todos os lados, há flores em tudo que eu vejo..."

Beijos!
Lela.


Leia também: Irmãos
                       Oi!! Há quanto tempo!! Lembra de mim?
                       Fotografia 3. Detalhes...

Fotos: Printerest.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Arrumando a casa e encontrando coisas

Nessas férias tive a missão de, finalmente, começar a arrumar a Casa Azul. Acho que foi o maior momento desapego pelo qual já passei, mas não foi tão difícil como pensei que pudesse ser... Bom, pelo menos até aqui.
Muito papel, quinquilharia, terços partidos, santinhos quebrados, apostilas... Meias, pijamas, as tais coisinhas miúdas.
Lembranças dos pais, avós, dos filhos e dos netos. Quadrinhos com "Eu te amo, vovó" são vários. Cartões, cartas de despedida, fotos. Lenços. Lembranças de uma vida inteira ocupando uma casa de várias vidas.
Mas chegou a hora de mudar. Novos ares, novos donos, novas manias vão comandar essa casa e para isso vai ser necessária uma adaptação de todos. Vamos empregar o termo "Sob Nova Direção" bastante e aos poucos todos vão se acostumar com a ideia, inclusive meu irmão e eu.
Fui guiada por uns sentimentos: desocupar, arejar, desencalhar, rearrumar. Redecorar tudo que for possível no momento e de uma coisa tenho absoluta certeza, passado uns dias de trabalho: falta cor. É pastel. Acho que eu queria uma casa mexicana, de cores terrosas, fortes, daquelas que acordam todo mundo, mas por enquanto não vai ser possível. Então daqui há algum tempo vou apostar nos sofás reestofados e reformados e em mantas. Vai dar certo. Preciso só de tempo (e de dinheiro, evidente).
Mas nesses dias descobri não só coisas que foram da minha mãe. Um dos armários está lotado de gibis que são do Jayminho: X-Men, Demolidor, Visão, Homem Aranha... A criatura vai fazer um dinheirinho no Mercado Livre.
Achei meu caderno de redação, provas da época do colégio, minhas Fofoletes e as minhas sapatilhas. Minhas sapatilhas de ballet estavam guardadas há quase 30 anos com a mamãe. Estão um pouco desbotadas, mas a ponta está perfeita. Não resisti e calcei. Ana ficou eufórica; tenho a sensação que ela achava que não era verdade que eu pudesse ter um dia calçado sapatilhas. Subi na ponta e doeu. De verdade! Meu pé não aceitou aquele exercício inesperado, normal. Deu uma saudadinha gostosa.
Se o ballet não tivesse me ensinado nada de bom, o que definitivamente não é verdade, deixou lições valiosas, como andar ereta, sentar ereta e o que quer que aconteça, ficar ereta. A encolher a barriga e encaixar o bumbum...Ensinou a persistencia, a tentar muitas vezes, muitas e muitas.


O balé foi por anos, o que eu gostaria de ter feito na vida: dançar, voar, ficar na ponta... Vi Ana Botafogo dançar no Municipal dezenas de vezes e sempre ficava emocionada com a leveza daquela mulher. Sou muito fã e tenho autógrafo dela guardado.
Fiz uma limpa nos armários, dei uma primeira olhada e em outras coisas não consegui mexer. É lembrança demais para tempo de menos. Quando voltar, tem mais coisa pra mexer e, com certeza, mais lembranças para encontrar.
Mas estou pronta!
Podem vir!

Beijos,
Lela,

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sábado, 17 de outubro de 2015

Casa

Quando se percebe que a casa agora é sua?
Pergunta estranha essa.
A casa era da vovó. Depois da partida desta, passou a ser da mamãe. Mas mesmo assim nada mudou. Continuei a chegar e a encontrar a cama feita, lençóis fresquinhos, casa limpa e arejada, geladeira cheia, compras feitas. Nunca tive que me preocupar com quem trabalharia lá, com goteiras, com a conta de luz. Passava meus dias felizes na minha alienação, como se a casa funcionasse sozinha. Sempre foi assim.
Vovó cuidava de tudo: tinha quintal varrido, queijo, balanço na goiabeira, querosene nos lampiões para os dias sem luz, canto da cama para as noites de medo. Eram quase 4 meses ao ano, se fossem somados os feriados e fins de semana. Conserta daqui, arruma dali e a casa estava sempre lá prá mim e para o meu irmão. E nos abrigou na infância, ouviu choros na adolescência, brigas, brincadeiras, segredos.
Um dia vovó resolveu que era chegada sua hora e depois de 17 dias, partiu. Foi levada por nós para a casa onde nasceu, trabalhou,casou, começou a criar a filha, adoeceu e mudou. A casa sempre esperou por ela, por nós. E sua última noite foi passada lá, rodeada da família e de tantos amigos.
E a casa continuou. Agora com outra dona, a filha, minha mãe. E tudo continuou. A disposição das camas demorou a mudar, Os móveis pouco mudaram, grandes obras de reforma, mas tudo com a simplicidade e a dificuldade que acompanhou a vida das duas. Mas ela era um membro da família, não a casa da família. Era o ser ouvinte, vivente, acolhedor.



Quando os bisnetos chegaram, a casa recebeu um nome: Casa Azul. De azul só tem as janelas, mas quem discute com criança por causa disso?? Pois é, ninguém.E ficou mais viva do que nunca, já que agora tinha nome e sobrenome, identidade. Não era só um número numa avenida de uma cidade perdida no meio de quase 900 municípios de Minas Gerais. E assim, ela ficou mais orgulhosa ainda da sua trajetória e foi enlarguecendo e sempre cabia mais alguém: amigos, sobrinhos, netos, bisnetos, gatos, passarinhos, morcegos, panelinhas, fotos, bicicletas, bonecas. Há quase 2 anos passou a caber a Luna também, que entrou pelo portão da garagem e não saiu mais.E que também é dona da casa.
Pois bem. Eis que esse ano, depois de 22 dias, mamãe resolveu que era chegada a sua hora também . Pouco sofrimento prá ela, em vista do que poderia ter sido e muito prá nós. Uma dor, um buraco, uma falta tremenda, tamanha!! A sensação é de não ter prá onde ir, de não saber prá onde voltar. O telefone de casa ficou mudo, as banalidades não poderão mais ser ditas e aquela mãozinha fininha não vai mais alisar o meu braço prá eu dormir e a boca não vai beijar meus olhos e pés ao sair do quarto.
Tantas coisas práticas a serem resolvidas entre duas pessoas: meu irmão e eu; e uma única certeza: a casa vai continuar sendo nossa. O que fazer com o resto, não sabemos ainda, mas sabemos que a Casa Azul vai continuar sendo a NOSSA casa.
Chegou o dia de ir até lá a primeira vez como "dona". Quando cheguei, tudo em ordem, mas panos nos móveis, camas sem fazer, geladeira e armários vazios. Agora isso é minha função, entre tantas.Nunca pensei nesse dia em toda a minha vida e por isso, não me preparei pra ele. Foi um baque. Ser recebida pelas lambidas saudosas da Luna, passar por dentro daquela entidade e abrir a porta para que os outros entrassem. Perceber que recebi uma missão, que há tempos foi dada à minha mãe: tomar conta daquela casa, fazer com que ela resista aos anos e possa receber mais amigos, namorados, cachorros, gatos, passarinhos, mudas de árvores; que suas árvores possam dar frutos, que seus temperos possam perfumar o quintal.Doeu tirar cada pano,cada plástico,arrumar cada cama. Imaginar quantas e quantas vezes isso foi feito, quantas vezes alguém ficou prá fazer isso.Desmontar a bagunça dos filhos e netos. E nunca reparei. Nunca agradeci e muitas vezes reclamei.
Agora a função é minha e espero estar pronta para ela.

Beijos,

Lela.

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

O país do futebol não é o país da Copa

Definitivamente não é...
Um lugar que basta ciar uns pingos de chuva já dá um nó no trânsito.
Que tem greves mil por tudo.
Que falta tudo no que se refere a infra estrutura.
Que o BRT Move, não move.
Que não tem Sulfato Ferroso nos centros de saúde.
Que não tem vagas nas UPAS.
Que o pessoal da Saúde foi desaconselhado (proibido mesmo...) de tirar férias na época do evento.
Que o governante "não sabia".
Que crimes ficam impunes.
Que pai mata filho, filho mata pai, e quem ficar na frente é capaz de morrer sem saber porque.
Que os preços são absurdos e com tendência a piorar; de aluguel à banana.
Que falta luz no aeroporto do Galeão no início do feriado.
Que ainda tem obras inacabadas: estádios, hotéis, estradas, tem de um tudo por fazer...
Que tem pontos de ônibus com pessoas cansadas, sem saber a que horas vão poder esticar as pernas ou beijar um filho ou fazer nada depois de um dia de trabalho.
Não, esse não é o país da Copa. Pode até ser o país do futebol, do rei do futebol, do artilheiro das Copas...Mas daí a ser o país que se transformou para sediar a competição vai uma distância enorme.
O que se vê nas ruas é uma maquiagem muito chinfrim, daquelas de loja de 1,99. As ruas de periferia continuam com buracos, sem calçamento... As estradas continuam com os mesmos problemas de séculos e assim vão permanecer na Copa, Olimpíadas, Campeonatos de Cuspe a Distância... Vai ficar tudinho como está para muitos. Para os poucos de sempre as mudanças serão para melhor.
Estou me lixando para a Copa! Se não fosse a proibição das férias, não mudaria em nada minha vida.
Mas minhas crianças terão 30 dias de recesso em junho e eu ficarei por aqui. As escolas particulares seguirão os estabelecimentos públicos, com um objetivo apenas: esvaziar as capitais. Só isso.
Levei mais de 2 horas para chegar em casa hoje. Choveu e alguma categoria resolveu se manifestar no final do expediente. Ana me esperou tanto tempo que fez o dever de casa lá mesmo e estava com fome... Eu também estava, mas ao subir a avenida e ver os pontos de ônibus tive que admitir que sou sortuda: estava sentada, sozinha, no quentinho ... As filas davam voltas e mais voltas nos quarteirões! Que todos tenham chegado em paz em suas casas.
Bem que poderíamos fazer uma greve na época da Copa: Não ligar a TV, não ir aos jogos, não soltar um foguete... Mas acho que isso não vai acontecer.
O Brasil pode até não ser o país da Copa, mas para muitos ainda é o país do futebol.

Beijocas cansadas,
Lela.

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                      Pacientes 1

terça-feira, 1 de abril de 2014

Falando da chuva...

Estava precisando, vamos combinar...
Há tempos não chovia em quantidade de molhar.
Esse ano fez um calor senegalês, beirando o insuportável... E seco. Foram meses de sede, pele seca ,cabelo uma palha. Haja água, hidratante, máscara pro cabelo; tudo em dose tripla!
Aí hoje a chuva caiu. Caiu, nada... Despencou tudo e mais um pouco que tinha no céu. Foi uma cena ensaiada. A chuva vinha bancando a difícil há mais de uma semana, mas hoje não resistiu aos apelos, novenas, danças da chuva e tudo mais que o pessoal vinha fazendo. Só faltou aparecer a Arca de Noé (calma gente é essa semana)...
Saí do trabalho debaixo de um chuvão que me fez mudar de caminho.
Gato escaldado, já que numa outra garoinha dessas há mais de 1 ano atrás, quase fiquei sem meu pretinho básico. Juro, em menos de cinco minutos fiquei parada dentro de um rio...Era aniversário da Ana, eu berrava no telefone para o Mário que a chuva ia levar o meu carro. Lembrei do papai dizendo para, em hipótese nenhuma, deixar o carro morrer dentro da água e nem sei como saí... Poucas vezes tremi tanto na vida e depois dessa quando chove, mudo de caminho.
Pois bem, caminho mudado, limpador de para brisa no máximo, e todos os apetrechos prá enfrentar a chuva ativados, comecei a volta. No caminho quase todo, foi chuva pesada; que foi parando e fui me acalmando. Quase estava quase na escola da Ana, a bendita recomeça, intensa, terrível. Não tinha como mudar mais o caminho, então fui... Literalmente dentro d'água. Passei pela enxurrada e quando cheguei ao final da ladeira, mudei de faixa e parei no sinal, crente que estava livre do problema da chuva. Aí escuto um barulhão, ou como diria um menino lindo que conheço "um gande baludão"... Uma árvore caiu, bem onde eu estava antes de mudar de faixa... Acreditam?? Pois é, foi. Quase morri de susto!! Consegui chegar na escola e fui obrigada a esperar lá até que pudesse pegar minha filhotinha e voltar...
Ufa!!
Demorou prá atender, né São Pedro...Mas pôxa!!



Até amanhã.
Beijos,
Lela.

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                      Ironias urbanas